Quando cumprimentei um robô humanoide pela primeira vez na China, parei por alguns segundos. Não foi espanto — foi reconhecimento. Reconhecimento de que o mundo que muitos ainda imaginam como futuro já estava acontecendo ali, naquele exato momento, a milhares de quilômetros de Palmas.
Fui à China porque acredito que empreendedor que não viaja para onde as coisas estão acontecendo está tomando decisões com informações velhas. E informação velha, no ritmo que o mundo está acelerando, é o mesmo que estar às cegas.
"O líder que não entende a tecnologia não lidera o futuro — ele tenta sobreviver a ele."
A Escala que Muda a Perspectiva
A primeira coisa que a China faz com você é reconfigurar sua noção de escala. Cidades de 30 milhões de pessoas com metrô funcionando com perfeição suíça. Fábricas automatizadas onde robôs e humanos trabalham lado a lado sem conflito, sem drama — apenas produção. Infraestrutura que foi construída em décadas onde outros países levam um século.
Isso não é propaganda política. É observação de campo. E o que essa escala me ensinou é simples: quando uma economia decide onde quer chegar, ela vai. A pergunta é se o Brasil — e especialmente o Tocantins — vai decidir a tempo de fazer parte desse futuro ou apenas observá-lo de longe.
Robótica, IA e o Que Isso Muda Para o Agronegócio
O que mais me interessou não foram os gadgets. Foi ver como a inteligência artificial e a robótica estão entrando no campo. Sensores de solo, drones de precisão, sistemas de irrigação que aprendem com o comportamento climático de cada região. O produtor rural chinês médio já tem acesso a ferramentas que o produtor rural brasileiro mais capitalizado ainda está começando a conhecer.
E o Tocantins é um estado agrícola. É um estado que depende de produtividade no campo. Cada avanço tecnológico que ignoramos hoje é uma desvantagem competitiva que pagamos amanhã. Não podemos nos dar ao luxo de chegar atrasados a essa conversa.
O Que Trouxe de Volta
Voltei com conexões, mas principalmente com clareza. Clareza de que o desenvolvimento do Tocantins precisa de líderes que saibam o que está acontecendo no mundo — não para copiar, mas para adaptar. O Brasil tem condições climáticas, riqueza natural e posição geográfica que nenhuma China tem. O que nos falta, muitas vezes, é a ambição de usar isso de forma estratégica.
O Canela Beach Resort é parte disso. Não é apenas um hotel — é um projeto que conversa com o turismo global de alto padrão, que usa tecnologia de construção e gestão de ponta, e que coloca o Tocantins no mapa de um mercado que movimenta trilhões no mundo.
Quem me pergunta por que viajo tanto recebe sempre a mesma resposta: porque o mundo não espera. E o Tocantins que eu quero deixar para meus filhos é um estado que participou ativamente da construção do futuro — não um que ficou assistindo.
A China me lembrou que tudo é possível quando há decisão. E eu tomei a minha faz muito tempo.