Entrei no auditório da IFTO pronto para dar. Para compartilhar experiência, para motivar, para ser o sujeito que chegou longe e veio mostrar o caminho. Saí do auditório tendo recebido algo que não esperava: a confirmação de que a geração que vai transformar o Tocantins já está aqui.
Os universitários daquela noite me surpreenderam. As perguntas eram profundas. A fome era real. E a clareza sobre os problemas do estado era, em muitos casos, mais afiada do que eu esperava de quem ainda está na faculdade.
"Vocês não precisam esperar permissão para construir. O Tocantins que queremos só vai existir se alguém decidir fazê-lo — e alguém pode ser qualquer um de vocês."
O Que Eu Falei
Comecei pelo começo: minha história. Filho de tropeiro do Piauí que chegou no Tocantins sem nada. O negócio que faliu. A dívida que parecia intransponível. As quatro vezes que quase não estava mais aqui para contar.
Falei sobre o que aprendi com cada queda: que o fracasso não é o oposto do sucesso — é parte do caminho. Que a vergonha do fracasso é mais paralisante do que o fracasso em si. E que o maior erro que um jovem empreendedor pode cometer é esperar que tudo esteja perfeito para começar.
Falei sobre o Canela Beach Resort — não como vitrine, mas como exemplo de que visão sem timidez pode transformar o que parece impossível em projeto concreto. Que a Ilha do Bananal tem potencial para receber o melhor do mundo, e que alguém precisava ter a coragem de apostar nisso.
O Que Eles Me Ensinaram
Na sessão de perguntas, um aluno me fez uma pergunta que ficou na minha cabeça por dias: "Senhor Ruy, o senhor acredita que um jovem do interior do Tocantins pode competir com alguém de São Paulo ou do exterior nos mesmos mercados?"
A resposta honesta que dei foi: não só pode — em alguns setores, tem vantagem competitiva. Quem cresce com escassez aprende a criar com poucos recursos. Quem vive num estado com tanto potencial inexplorado tem oportunidades que o jovem de São Paulo ou da Europa vai ter que descobrir quando já for tarde demais.
O problema não é competência — é crença. E a responsabilidade de quem chegou antes é mostrar para quem vem depois que a crença é justificada.
A Responsabilidade de Quem Chegou Primeiro
Saí daquela palestra renovado. E com uma responsabilidade mais clara: não basta construir empreendimentos. Preciso construir pontes — entre o que o Tocantins é e o que pode ser, entre a geração que consolidou e a geração que vai escalar.
Por isso me comprometi, naquela noite, a voltar mais vezes. A criar programas de mentoria para jovens tocantinenses que têm visão mas não têm acesso. A usar cada plataforma que tenho — este site, meu Instagram, meu livro — para mostrar que o Tocantins não é o limite. É o ponto de partida.
Se você é um daqueles universitários que estava lá naquela noite: este blog é, em parte, para você. Cada texto aqui é uma conversa que não coube no auditório. E minha porta está aberta para quem quiser continuar esse papo.