Trajetória · Fé · Superação

Quatro Vezes Renascido: O que Cada Momento me Ensinou sobre Propósito

Ruy Adriano·Maio 2026·7 min de leitura

Quando as pessoas me perguntam de onde vem minha determinação, eu poderia falar de negócios, de estratégia, de mercado. Mas a verdade é mais simples — e mais profunda — do que isso. Eu sei o que é estar no limite. Quatro vezes na minha vida, estive no ponto onde muitos não voltam. E em cada uma delas, encontrei algo que nenhum curso de empreendedorismo ensina: clareza absoluta sobre o que realmente importa.

"Não nasci uma vez só. Nasci várias. E cada renascimento me trouxe mais propósito do que o anterior."
01

A Cisterna — 7 anos

Tinha sete anos quando caí em uma cisterna de mais de doze metros de profundidade. Era para eu não estar aqui. Não quebrei nada — absolutamente nada. Mas o impacto daquele momento ficou para sempre. Não como trauma, mas como revelação: havia algo maior me sustentando.

A criança que saiu daquela cisterna era diferente da que entrou. Mais consciente, de alguma forma, de que a vida é um presente que pode ser tirado a qualquer instante. E que, enquanto está aqui, merece ser vivida com intensidade.

02

A Meningite — Adolescência

Na adolescência, fui diagnosticado com meningite. Naquela época, pouquíssimas pessoas sobreviviam. Sobrevivi — com sequelas que carrego até hoje. Mas também com algo que poucos têm: a experiência visceral de que amanhã não é garantido.

Esse momento me ensinou a não adiar. Não adiar conversas importantes, não adiar projetos que fazem sentido, não adiar a vida que você quer construir. Quem já esteve perto da morte sabe que o maior desperdício não é falhar — é não tentar.

03

A Carreta — Vida adulta

O acidente foi severo. Entrei debaixo de uma carreta. Qualquer pessoa que tivesse visto a cena diria que não havia como sobreviver. Mas sobrevivi. E mais: não quebrei absolutamente nenhum osso. Um médico que vinha logo atrás de mim na estrada foi quem me salvou — um anjo no momento certo.

Aprendi nesse dia que não estamos aqui por acaso. Que existem momentos em que a providência age de formas que a razão não explica. E que, quando você escapa de algo assim, a única resposta coerente é viver com mais intensidade — e mais gratidão.

04

A COVID — 2020

Em 2020, enquanto o mundo parava, eu estava praticamente partindo. A COVID me levou ao limite. Em um momento que ainda guardo como um dos mais íntimos da minha vida, tive uma visão da minha família — minha esposa e meus três filhos — acenando, me chamando de volta.

Voltei. E voltei diferente. Com mais clareza sobre para onde estava indo. Com menos tolerância para o que não tem propósito. E com uma certeza que carrego até hoje: tudo que construo, construo porque ainda estou aqui para construir.

Cada um desses momentos poderia ter sido o fim. Não foram — foram recomeços. E é por isso que, quando as pessoas me perguntam de onde vem minha energia para projetos como o Canela Beach Resort, eu respondo com honestidade: vem de saber que cada dia é uma segunda chance. E segundas chances não se desperdiçam.

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